Scientific Evidence, Legal Evidence, Rational Evidence

De Racionalidade
Ir para: navegação, pesquisa

Original

Suppose that your good friend, the police commissioner, tells you in strictest confidence that the crime kingpin of your city is Wulky Wilkinsen. As a rationalist, are you licensed to believe this statement? Put it this way: if you go ahead and insult Wulky, I’d call you foolhardy. Since it is prudent to act as if Wulky has a substantially higher-than-default probability of being a crime boss, the police commissioner’s statement must have been strong Bayesian evidence.

Our legal system will not imprison Wulky on the basis of the police commissioner’s statement. It is not admissible as legal evidence. Maybe if you locked up every person accused of being a crime boss by a police commissioner, you’d initially catch a lot of crime bosses, plus some people that a police commissioner didn’t like. Power tends to corrupt: over time, you’d catch fewer and fewer real crime bosses (who would go to greater lengths to ensure anonymity) and more and more innocent victims (unrestrained power attracts corruption like honey attracts flies).

This does not mean that the police commissioner’s statement is not rational evidence. It still has a lopsided likelihood ratio, and you’d still be a fool to insult Wulky. But on a social level, in pursuit of a social goal, we deliberately define “legal evidence” to include only particular kinds of evidence, such as the police commissioner’s own observations on the night of April 4th. All legal evidence should ideally be rational evidence, but not the other way around. We impose special, strong, additional standards before we anoint rational evidence as “legal evidence.”

As I write this sentence at 8:33 p.m., Pacific time, on August 18th, 2007, I am wearing white socks. As a rationalist, are you licensed to believe the previous statement? Yes. Could I testify to it in court? Yes. Is it a scientific statement? No, because there is no experiment you can perform yourself to verify it. Science is made up of generalizations which apply to many particular instances, so that you can run new real-world experiments which test the generalization, and thereby verify for yourself that the generalization is true, without having to trust anyone’s authority. Science is the publicly reproducible knowledge of humankind.

Like a court system, science as a social process is made up of fallible humans. We want a protected pool of beliefs that are especially reliable. And we want social rules that encourage the generation of such knowledge. So we impose special, strong, additional standards before we canonize rational knowledge as “scientific knowledge,” adding it to the protected belief pool. Is a rationalist licensed to believe in the historical existence of Alexander the Great? Yes. We have a rough picture of ancient Greece, untrustworthy but better than maximum entropy. But we are dependent on authorities such as Plutarch; we cannot discard Plutarch and verify everything for ourselves. Historical knowledge is not scientific knowledge.

Is a rationalist licensed to believe that the Sun will rise on September 18th, 2007? Yes—not with absolute certainty, but that’s the way to bet. (Pedants: interpret this as the Earth’s rotation and orbit remaining roughly constant relative to the Sun.) Is this statement, as I write this essay on August 18th, 2007, a scientific belief?

It may seem perverse to deny the adjective “scientific” to statements like “The Sun will rise on September 18th, 2007.” If Science could not make predictions about future events—events which have not yet happened—then it would be useless; it could make no prediction in advance of experiment. The prediction that the Sun will rise is, definitely, an extrapolation from scientific generalizations. It is based upon models of the Solar System that you could test for yourself by experiment.

But imagine that you’re constructing an experiment to verify prediction #27, in a new context, of an accepted theory Q. You may not have any concrete reason to suspect the belief is wrong; you just want to test it in a new context. It seems dangerous to say, before running the experiment, that there is a “scientific belief” about the result. There is a “conventional prediction” or “theory Q’s prediction.” But if you already know the “scientific belief” about the result, why bother to run the experiment?

You begin to see, I hope, why I identify Science with generalizations, rather than the history of any one experiment. A historical event happens once; generalizations apply over many events. History is not reproducible; scientific generalizations are.

Is my definition of “scientific knowledge” true? That is not a well-formed question. The special standards we impose upon science are pragmatic choices. Nowhere upon the stars or the mountains is it written that p < 0.05 shall be the standard for scientific publication. Many now argue that 0.05 is too weak, and that it would be useful to lower it to 0.01 or 0.001.

Perhaps future generations, acting on the theory that science is the public, reproducible knowledge of humankind, will only label as “scientific” papers published in an open-access journal. If you charge for access to the knowledge, is it part of the knowledge of humankind? Can we trust a result if people must pay to criticize it? Is it really science?

The question “Is it really science?” is ill-formed. Is a $20,000/year closed-access journal really Bayesian evidence? As with the police commissioner’s private assurance that Wulky is the kingpin, I think we must answer “Yes.” But should the closed-access journal be further canonized as “science”? Should we allow it into the special, protected belief pool? For myself, I think science would be better served by the dictum that only open knowledge counts as the public, reproducible knowledge pool of humankind.

http://lesswrong.com/lw/in/scientific_evidence_legal_evidence_rational/

Evidência Científica, Evidência Jurídica, Evidencia Racional

Suponha-se que o seu bom amigo, o comissário de polícia, lhe diz, na mais estrita confiança, que o chefão do crime de sua cidade é Wulky Wilkinsen. Como um racionalista, você pode acreditar nessa declaração? Coloque a situação desta maneira: se você for em frente e insultar Wulky, eu o chamaria de imprudente. Uma vez que é prudente agir como se Wulky tivesse uma probabilidade significativamente maior do que o padrão de ser um chefão do crime, a declaração do comissário de polícia deve ter sido uma forte evidência Bayesiana.

Nosso sistema legal não vai aprisionar Wulky com base na declaração do comissário de polícia. Não é admissível como evidência jurídica. Pode ser que, se você prendesse toda pessoa acusada de ser um chefão do crime por um comissário de polícia, você inicialmente pegaria um monte de chefes do crime, junto com algumas pessoas de quem um comissário de polícia não gostou. O poder tende a corromper: ao longo do tempo, você pegaria cada vez menos verdadeiros chefes do crime (que iriam se esforçar mais para garantir o anonimato) e mais e mais vítimas inocentes (poder irrestrito atrai corrupção como o mel atrai moscas).

Isso não significa que a declaração do comissário de polícia não é evidência racional. Ela ainda tem uma razão de verossimilhança desequilibrada, e você ainda seria um tolo de insultar Wulky. Mas em um nível social, em busca de um objetivo social, nós deliberadamente definimos "evidência jurídica" para incluir apenas determinados tipos de prova, tais como observações do próprio comissário de polícia na noite de 04 de abril. Toda evidência jurídica deveria ser, idealmente, evidência racional, mas não o contrário. Nós impomos critérios adicionais, fortes e especiais, para ungir evidência racional como "evidência jurídica."

Enquanto escrevo esta frase em 08:33, Hora do Pacífico, no dia 18 de agosto de 2007, eu estou vestindo meias brancas. Como um racionalista, você pode acreditar na declaração anterior? Sim. Eu poderia testemunhar no tribunal? Sim. É uma declaração científica? Não, porque não há nenhuma experiência que você pode realizar, você mesmo, para confirmá-la. A ciência é composta de generalizações que se aplicam a muitos casos particulares, de modo que você pode executar novas experiências do mundo real que testam a generalização, e, assim, verificar por si mesmo que a generalização é verdade, sem ter de confiar na autoridade de ninguém. A ciência é o conhecimento publicamente reprodutível da humanidade.

Como um sistema de tribunais, a ciência como um processo social é composta de seres humanos falíveis. Queremos um reservatório protegido de crenças que são especialmente confiáveis. E queremos regras sociais que incentivam a criação de tal conhecimento. Então, nós impomos critérios adicionais, fortes e especiais, para canonizar o conhecimento racional como "conhecimento científico", acrescentando-o ao reservatório protegido de crenças. Um racionalista pode acreditar na existência histórica de Alexandre, o Grande? Sim. Temos uma imagem aproximada da Grécia antiga, indigna de confiança, mas melhor do que a máxima entropia. Mas nós somos dependentes de autoridades, como Plutarco; não podemos descartar Plutarco e verificar tudo por nós mesmos. O conhecimento histórico não é conhecimento científico.

Um racionalista pode acreditar que o Sol vai nascer em 18 de setembro de 2007? Sim - não com certeza absoluta, mas essa é a opção em que apostar. (Pedantes: interpretar isso como a rotação e órbita da Terra permanecerem aproximadamente constante em relação ao Sol) Essa declaração é, enquanto eu escrevo esse ensaio no dia 18 de agosto de 2007, uma crença científica?

Pode parecer perverso negar o adjetivo "científico" a afirmações como "o sol vai nascer em 18 de setembro de 2007." Se a ciência não pudesse fazer previsões sobre eventos futuros - eventos que ainda não aconteceram - então ela seria inútil; ela não poderia fazer nenhuma previsão antes do experimento. A previsão de que o Sol vai nascer é, definitivamente, uma extrapolação a partir de generalizações científicas. Baseia-se em modelos do Sistema Solar que você poderia testar por si mesmo pela experiência.

Mas imagine que você está construindo um experimento para verificar a previsão #27, em um novo contexto, de uma teoria aceita Q. Você pode não ter qualquer razão concreta para suspeitar que a crença está errada; você só quer testá-la em um novo contexto. Parece perigoso dizer, antes de executar o experimento, que há uma "crença científica" sobre o resultado. Há uma "previsão convencional" ou "previsão da teoria Q." Mas se você já sabe a "crença científica" sobre o resultado, por que se preocupar em executar o experimento?

Você começa a entender, eu espero, porque eu identifico Ciência com generalizações, ao invés de com a história de qualquer experimento específico. Um evento histórico acontece uma vez; generalizações são aplicáveis ao longo de muitos eventos. A história não é reprodutível; generalizações científicas o são.

A minha definição de "conhecimento científico" é verdadeira? Essa não é uma pergunta bem formada. Os critérios especiais que impomos à ciência são escolhas pragmáticas. Em nenhum lugar entre as estrelas ou nas montanhas está escrito que p < 0,05 deve ser o padrão para publicação científica. Muitos, atualmente, alegam que 0,05 é muito fraco, e que seria útil abaixá-lo para 0,01 ou 0,001.

Talvez as futuras gerações, seguindo a teoria de que a ciência é o conhecimento público e reprodutível da humanidade, apenas rotulem como "científicos" artigos publicados em revistas de acesso aberto. Se você cobra pelo acesso ao conhecimento, ele é parte do conhecimento da humanidade? Podemos confiar num resultado se as pessoas precisam pagar para criticá-lo? Será que esse conhecimento realmente é ciência?

A pergunta "Será que é realmente ciência?" é mal formada. Uma revista de acesso fechado de US$ 20.000/ano realmente é evidência Bayesiana? Tal como acontece com a asserção particular do comissário de polícia de que Wulky é o chefão, penso que temos de responder "Sim." Mas a revista de acesso fechado ainda deve ser canonizada como "ciência"? Devemos permitir que ela faça parte do reservatório especial de crenças protegidas? Para mim, eu acho que a ciência estaria melhor servida pela máxima de que só o conhecimento aberto conta como o reservatório de conhecimento público e reprodutível da humanidade.

http://lesswrong.com/lw/in/scientific_evidence_legal_evidence_rational/