“Science” as Curiosity-Stopper

De Racionalidade
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Original

Imagine that I, in full view of live television cameras, raised my hands and chanted abracadabra and caused a brilliant light to be born, flaring in empty space beyond my outstretched hands. Imagine that I committed this act of blatant, unmistakeable sorcery under the full supervision of James Randi and all skeptical armies. Most people, I think, would be fairly curious as to what was going on.

But now suppose instead that I don’t go on television. I do not wish to share the power, nor the truth behind it. I want to keep my sorcery secret. And yet I also want to cast my spells whenever and wherever I please. I want to cast my brilliant flare of light so that I can read a book on the train—without anyone becoming curious. Is there a spell that stops curiosity?

Yes indeed! Whenever anyone asks “How did you do that?,” I just say “Science!”

It’s not a real explanation, so much as a curiosity-stopper. It doesn’t tell you whether the light will brighten or fade, change color in hue or saturation, and it certainly doesn’t tell you how to make a similar light yourself. You don’t actually know anything more than you knew before I said the magic word. But you turn away, satisfied that nothing unusual is going on.

Better yet, the same trick works with a standard light switch.

Flip a switch and a light bulb turns on. Why?

In school, one is taught that the password to the light bulb is “Electricity!” By now, I hope, you’re wary of marking the light bulb “understood” on such a basis. Does saying “Electricity!” let you do calculations that will control your anticipation of experience? There is, at the least, a great deal more to learn. (Physicists should ignore this paragraph and substitute a problem in evolutionary theory, where the substance of the theory is again in calculations that few people know how to perform.)

If you thought the light bulb was scientifically inexplicable, it would seize the entirety of your attention. You would drop whatever else you were doing, and focus on that light bulb.

But what does the phrase “scientifically explicable” mean? It means that someone else knows how the light bulb works. When you are told the light bulb is “scientifically explicable,” you don’t know more than you knew earlier; you don’t know whether the light bulb will brighten or fade. But because someone else knows, it devalues the knowledge in your eyes. You become less curious.

Someone is bound to say, “If the light bulb were unknown to science, you could gain fame and fortune by investigating it.” But I’m not talking about greed. I’m not talking about career ambition. I’m talking about the raw emotion of curiosity—the feeling of being intrigued. Why should your curiosity be diminished because someone else, not you, knows how the light bulb works? Is this not spite? It’s not enough for you to know; other people must also be ignorant, or you won’t be happy?

There are goods that knowledge may serve besides curiosity, such as the social utility of technology. For these instrumental goods, it matters whether some other entity in local space already knows. But for my own curiosity, why should it matter?

Besides, consider the consequences if you permit “Someone else knows the answer” to function as a curiosity-stopper. One day you walk into your living room and see a giant green elephant, seemingly hovering in midair, surrounded by an aura of silver light.

“What the heck?” you say.

And a voice comes from above the elephant, saying,

SOMEBODY ALREADY KNOWS WHY THIS ELEPHANT IS HERE.

“Oh,” you say, “in that case, never mind,” and walk on to the kitchen.

I don’t know the grand unified theory for this universe’s laws of physics. I also don’t know much about human anatomy with the exception of the brain. I couldn’t point out on my body where my kidneys are, and I can’t recall offhand what my liver does. (I am not proud of this. Alas, with all the math I need to study, I’m not likely to learn anatomy anytime soon.)

Should I, so far as curiosity is concerned, be more intrigued by my ignorance of the ultimate laws of physics, than the fact that I don’t know much about what goes on inside my own body?

If I raised my hands and cast a light spell, you would be intrigued. Should you be any less intrigued by the very fact that I raised my hands? When you raise your arm and wave a hand around, this act of will is coordinated by (among other brain areas) your cerebellum. I bet you don’t know how the cerebellum works. I know a little—though only the gross details, not enough to perform calculations . . . but so what? What does that matter, if you don’t know? Why should there be a double standard of curiosity for sorcery and hand motions?

Look at yourself in the mirror. Do you know what you’re looking at? Do you know what looks out from behind your eyes? Do you know what you are? Some of that answer, Science knows, and some of it Science does not. But why should that distinction matter to your curiosity, if you don’t know?

Do you know how your knees work? Do you know how your shoes were made? Do you know why your computer monitor glows? Do you know why water is wet?

The world around you is full of puzzles. Prioritize, if you must. But do not complain that cruel Science has emptied the world of mystery. With reasoning such as that, I could get you to overlook an elephant in your living room.

http://lesswrong.com/lw/j3/science_as_curiositystopper/

"Ciência" como Freio da Curiosidade

Imagine que, diante de câmeras de TV filmando ao vivo, eu erguesse os braços, dissesse abracadabra e fizesse uma luz brilhante surgir, luzindo no espaço logo adiante de meus braços estendidos. Imagine que eu cometi este ato de feitiçaria flagrante e inequívoca mesmo sob supervisão do mágico James Randi e um exército de céticos. Eu acho que a maioria das pessoas ficaria bastante curiosa de saber sobre o evento.

Mas agora suponha que eu não quero aparecer na TV. Eu não quero compartilhar o poder nem a verdade na qual ele se baseia. Eu quero que minha feitiçaria continue sendo um segredo. E mesmo assim eu quero continuar lançando meus feitiços sempre que eu quiser, em qualquer lugar. Eu quero criar meu facho de luz brilhante para poder ler no trem — sem ninguém ficar curioso. Será que há um feitiço que para a curiosidade?

Sim! Sempre que alguém perguntar como eu fiz isso, é só eu responder: ciência!

Esta não é uma explicação de verdade, mas sim um freio à curiosidade. Ela não te diz se a luz vai ficar mais ou menos brilhante, mudar de cor em matiz ou saturação, e certamente não diz como fazer, você mesmo, uma luz parecida. Na verdade, você não sabe nada além do que já sabia antes de eu dizer a palavra mágica. Mas você se contenta com a conclusão de que não há nada de incomum.

Melhor ainda, o mesmo truque funciona com um interruptor comum.

Acione o interruptor e a lâmpada se acende. Por quê?

Na escola, aprende-se que a senha da lâmpada é "eletricidade!" A essa altura, eu espero que você desconfie da ideia de considerar a lâmpada como "compreendida", com base nessa resposta. Será que dizer "eletricidade!" te permite fazer cálculos que controlarão suas expectativas sobre a experiência? No mínimo, ainda resta muito a aprender a respeito. (Físicos, por favor ignorem este parágrafo e imaginem um problema na teoria da evolução, no qual a substância da teoria também reside em cálculos que poucas pessoas sabem realizar.)

Se você achasse que a lâmpada impossível de explicar cientificamente, ela consumiria toda a sua atenção. Você largaria o que estivesse fazendo para se concentrar na lâmpada.

Mas o que significa a expressão "possível de explicar cientificamente"? Significa que outra pessoa sabe como a lâmpada funciona. Quando você ouve que a lâmpada é "possível de explicar cientificamente", você não aprende nada que já não soubesse antes; você não sabe se a lâmpada vai ficar mais brilhante ou gradualmente se apagar. Mas como outra pessoa sabe, o conhecimento parece menos importante aos seus olhos. Você fica menos curioso.

Alguém certamente dirá: "se a ciência desconhecesse a lâmpada, você poderia ficar rico e famoso pesquisando-a." Mas eu não estou falando de cobiça. Não estou falando de ambição profissional. Estou falando da emoção pura da curiosidade — a emoção de sentir-se intrigado. Por que sua curiosidade deveria diminuir só porque outra pessoa sabe como a lâmpada funciona? Isso não é rancor? Não basta você saber, é preciso que outros não saibam para você ser feliz?

O conhecimento pode servir a outras finalidades além da curiosidade: por exemplo, a utilidade social da tecnologia. Para estas finalidades instrumentais, faz diferença se alguma outra entidade no espaço local já sabe. Mas para a minha própria curiosidade, que diferença isso faz?

Além disso, considere as consequências de permitir que o fato de outra pessoa saber a resposta funcione como um freio à curiosidade. Um dia você entra em casa e se depara com um enorme elefante verde, aparentemente flutuando no ar, banhado numa aura de luz prateada.

"Mas que diabo?", você se pergunta.

E acima do elefante uma voz ressoa, dizendo:

ALGUÉM JÁ SABE PORQUE ESTE ELEFANTE ESTÁ AQUI.

"Ah! Então deixa pra lá", você diz, e segue seu caminho para a cozinha.

Eu não sei a grande teoria unificada para as leis da física deste universo. Eu também não sei muito de anatomia humana, exceto o cérebro. Eu não saberia dizer onde ficam meus rins, e de cabeça não sei dizer qual é a função do meu fígado. (Eu não me orgulho disto. Bem, com toda a matemática que eu tenho que estudar, é pouco provável que eu aprenda anatomia no futuro próximo.)

No que toca à minha curiosidade, será que eu deveria ficar mais intrigado pela minha ignorância das leis fundamentais da física do que pelo fato de que eu não sei quase nada do que acontece no meu corpo?

Se eu erguesse os braços e lançasse um feitiço de luz, você ficaria intrigado. Será que você deveria se intrigar menos pelo próprio fato de eu erguer os braços? Quando você ergue o braço e acena, este ato da vontade é coordenado pelo seu cerebelo (entre outras áreas do cérebro). Eu aposto que você não sabe como o cerebelo funciona. Eu sei um pouquinho — mas apenas as linhas gerais, não o suficiente para efetuar cálculos... mas e daí? O que importa se você não sabe? Por que deveria haver dois pesos e duas medidas da curiosidade, uma para a feitiçaria e outra para o movimento braços?

Olhe-se no espelho. Você sabe o que é aquilo que você está olhando? Você sabe o que é que está olhando, detrás de seus olhos? Você sabe o que você é? A ciência sabe partes dessa resposta, e ignora outras partes. Mas por que a distinção deveria importar para a sua curiosidade, se você não sabe?

Você sabe como seus joelhos funcionam? Você sabe como seus sapatos foram feitos? Você sabe por que a tela do seu computador brilha? Você sabe por que a água é molhada?

O mundo à sua volta é cheio de enigmas. Estabeleça prioridades, se necessário. Mas não reclame que a ciência malvada acabou com o mistério do mundo. Se você pensa dessa maneira, eu posso fazer você desconsiderar um elefante na sala da sua casa.

http://lesswrong.com/lw/j3/science_as_curiositystopper/